Aula 11 Os jornalistas estão nas mãos das fontes?
«CERCA de 70% das notícias publicadas nos jornais portugueses têm como origem as agências de informação ou os gabinetes de Imprensa». Este é o resultado de um estudo efectuado por uma das mais antigas agências a operar em Portugal, a Emirec, e confirma uma perigosa tendência dos órgãos de Comunicação Social para se converterem em «receptores passivos» de informação, abandonando progressivamente a sua vocação de mediadores directos entre as fontes noticiosas e os seus leitores.Os primeiros indícios do fenómeno remontam a 1997, ano em que um trabalho relativo a três jornais diários de grande expansão («DN», «JN» e «Público») concluía que das 28 notícias de primeira página apenas três não tinham como origem as chamadas «fontes organizadas de informação», ou seja agências, assessorias e gabinetes de Imprensa. O estudo registava ainda que «DN» e «Público» apresentavam a mesma manchete e que apenas quatro notícias feitas a partir de informação das agências foram tratadas jornalisticamente.
Cada vez mais reconhece-se o papel decisivo que as fontes desempenham na produção noticiosa.
Hoje em dia não há jornalismo sem fontes, não há notícias se não houver quem as dê a conhecer aos jornalistas.
Os jornalistas hoje em dia vão tendo cada vez mais noção que a informação que lhes chega pode não corresponder 100% à realidade. Os jornalistas estão mais hostis, tentando cada vez mais apurar os factos e não confiar apenas na palavra de um assessor, ao mesmo tempo que os jornalistas tentam não se deixar enganar, os assessores aperfeiçoam cada vez mais as estratégias de comunicação, sendo estas cada vez mais dissimuladas, para que os jornalistas não desconfiem de nada.
Chegamos à conclusão que toda informação que parte de um assessor de imprensa para um jornalista faz parte de uma estratégia de comunicação, essas informações previamente elaboradas, tem um determinado objectivo. Daí que os jornalistas devem sempre desconfiar da informação sem a recusar, tendo sempre em conta que cabe a ele decidir a publicação ou não de determinada informação, tendo sempre o seu espírito crítico apurado.
Citação:
“ O jornalista embora podendo considerar o assessor de imprensa como uma fonte de informação fidedigna, jamais deve assumir como inquestionável o material informativo que recebe das suas mãos. Por outras palavras, a matéria informativa recebida pelo jornalista pode e se calhar deve ser confirmada junto de outras fontes estranhas ao primeiro «informador»”
(LAMPREIA, J. Martins, A Assessoria de Imprensa nas Relações Públicas, Publicações Europa-América, 2ª edição, pág.67).
Pois quem lhes liga não é inocente, é alguém que tem como principal objectivo passar as suas mensagens no espaço mediático.
Para os jornalistas é essencial ter uma visão crítica, de publicar ou não, de dar mais ou menos destaque, de procurar outro ângulo outra visão das coisas. Ser independente e crítico, já que o jornalista é constantemente assediado pelos assessores. O assessor de imprensa sabe cada vez mais de tudo, porque se relaciona de forma directa com os acontecimentos. Mesmo o assessor sendo um precioso auxiliar na obtenção de informações, o jornalista pode sempre complementar essas informações junto de outras fontes. Convém, não esquecer que o assessor de imprensa serve os interesses da instituição para quem trabalha, enquanto que o jornalista orienta a sua acção em função do interesse do público.
Será que o Jornalista tem consciência que quando é procurado pelo Assessor de Imprensa é usado como um veículo de informação? Mediante esta questão pode-se dizer que há cada vez mais uma preocupação em comunicar melhor e fazer tudo de forma subtil.
Os Assessores de Imprensa são cada vez mais técnicos bem formados que elaboram uma estratégia de comunicação com a colaboração, consciente ou inconsciente, do Jornalista. Este tem de respeitar em primeiro lugar a vontade do patrão e com isso pode nem sempre estar a ser sincero com o jornalista.
O assessor de imprensa pode-se considerar o principal informador dos jornalistas. No entanto, os assessores não podem exigir que as suas informações sejam divulgadas pelo jornalista. Este, por seu lado, ao receber informações de assessores de imprensa não está a assumir qualquer compromisso no que respeita à sua divulgação.
Chegamos à conclusão de que o assessor de imprensa pode, muitas vezes, “manipular” o jornalista em função dos seus interesses.
Considero importante o bom entendimento entre os jornalistas e assessores esta relação benificia ambas as partes.
Citação:
“A chave das boas relações é a prontidão, a veracidade, a concisão e o interesse das notícias e o material editorial fornecidos aos órgãos de comunicação social pela empresa.”
(LAMPREIA, J. Martins, A Assessoria de Imprensa nas Relações Públicas, Europa-América, 1999, 2ª edição, pág.70)
Em suma: Os jornalistas só ficam nas mãos das fontes se estes não questionarem tudo aquilo que recebem por parte destas, devem sempre duvidar de tudo. Nunca poderão levar como certa toda a informação passada pelas fontes, nem publicar a mesma sem a submeter a um rigoroso tratamento jornalístico. Contudo, será a procura pela garantia da veracidade que vai servir de suporte para a legitimação do papel do jornalista.

0 Comments:
Post a Comment
Subscribe to Post Comments [Atom]
<< Home