aula 15 Exemplos de «factos políticos»
- “Esta candidatura marca um “facto político” irreversível: ela assume o direito de pensar, de criticar, de agir e combater. Ela constitui-se como um movimento de inquietação cívica mobilizador de jovens por todo o país, de norte a sul, do litoral ao interior. Ela assume o romantismo e a seriedade que o exercício da política tem perdido, ela recupera o valor da consciência e de como ela é soberana nas decisões.”
- “Os líderes políticos demonstraram compreender que o “facto político” da guerra civil gerava uma condição política excepcional, que impossibilitava a realização de eleições nacionais enquanto ela estivesse ocorrendo”.
“O “facto político” da guerra civil gerava um facto jurídico de natureza excepcional, que tinha a força de relativizar, no mundo real, o cumprimento do calendário eleitoral, previsto na constituição.”
- “Não falamos aqui do alegado cansaço de Freitas do Amaral, o ministro português dos Negócios Estrangeiros. Referimo-nos, neste caso, ao aparente cansaço dos britânicos face a Tony Blair. Numa verdadeira democracia, como é a inglesa, dificilmente algum chefe de governo conseguirá passar além de dois mandatos e, mais difícil ainda, passar além dos três. Por mais evidentes que sejam as suas qualidades políticas e as suas potencialidades carismáticas, chega-se a uma altura em que os erros, próprios ou dos que lhe são próximos, com foi o caso, e ainda as dificuldades conjunturais, acabam por impor a sua lei. Ao fim de alguns anos, e em circunstâncias negativas muito específicas, o chamado carisma já não conta. O caso de Margareth Tatcher chega para o demonstrar e Tony Blair parece ir pelo mesmo caminho.A derrota eleitoral de Tony Blair foi objectivamente grave, mas o primeiro ministro teve ainda uma ponta de sorte: as sondagens, de tão pessimistas que eram, acabaram por dar uma ajuda. Afinal, o partido trabalhista não descera tão fundo como previam as sondagens, o que funciona como uma espécie de alívio inesperado. Em política, não perder pelos números esperados, já constitui uma pequena vitória. Veja-se o que aconteceu em Itália com Berlusconi, embora os números não sejam sequer comparáveis. E o primeiro ministro inglês nem aguardou pela divulgação dos resultados finais do sufrágio para anunciar uma profunda remodelação do seu governo, na tentativa de criar um “facto político” capaz de dar a volta ao sentimento generalizado de protesto e de cansaço que os resultados destas eleições vieram confirmar. Tratou-se, é certo de eleições autárquicas, e de eleições parciais, que não podem extrapolar excessivamente. Também é verdade que não é a primeira vez que Tony Blair enfrenta situações difíceis, algumas das quais conseguiu superar, de forma surpreendente. Mas, neste caso, tudo indica que nem o seu eterno sorriso conseguirá apagar as marcas do cansaço. Dos britânicos e dele próprio.”
- (…)”Foi invocando este preceito que o leitor J. B. César dirigiu ao provedor algumas críticas sobre o tratamento jornalístico, por parte do PÚBLICO, do conflito no País Basco entre a organização separatista ETA e o Estado espanhol. Diz: "Sob o ponto de vista de um jornalista do PÚBLICO, é ligeiro e denota juízos de valor preconcebidos classificar uma das partes da contenda de 'terrorista'. (...) Os pruridos dispensados a quem coloca bombas ou dispara tiros na nuca a adversários desarmados poderão soar a cinismo. (...) Mas do que aqui se fala é do tratamento noticioso que se está a dar a um “facto político” que, infelizmente, resvalou para a luta armada. E, nesse contexto, parece-me que (...) não deveria o jornalista de Madrid [Nuno Ribeiro] envolver-se em análises subjectivas de carácter pessoal (...) ou tomar partido por uma das bandas de um conflito".
- (…)“Um outro facto, ao invés, mereceu uma atenção mediática inversamente proporcional à sua mais valia nacional. Ao atacar Maria José Morgado, Paulo Portas visou criar um “facto político” com dois objectivos dar corpo ao levantamento interno contra Ribeiro e Castro, provando que com o estalar de um dedo consegue fazer virar para si todos holofotes; dar continuidade à sua antiga urticária contra uma mulher afastada do combate ao crime durante os tempos em que co-governava (?) o país. O ataque nada tinha, portanto, a ver com o que era enunciado já que Portas bem sabe que a cidadania ainda não morreu e nem só quem colabora com o CDS tem direito ao bom nome em Portugal.”
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