5.6.07

Aula 18 campanhas negativas na internet

Uma das armas utilizadas por este tipo de campanha é os rumores, que ganham mais força no momento em que a comunicação social lhes dá mais credibilidade.
A Internet que é um dos meios permite a maior propagação e perpetuação de um rumor.
Os partidos políticos parecem perceber este potencial que a Internet tem, e passam a lançar mão dos recursos e ferramentas do meio dentro das suas estratégias comunicacionais, e integrando as mais diferentes estratégias: informar o eleitor, educar o cidadão para a prática eleitoral, denunciar práticas e acusar adversários, circular informações, captar recursos e colaboradores, ou mesmo todas estas estratégias num mesmo espaço.
Os blogs têm vindo a multiplicar-se de forma explosiva, constituindo hoje um dos fenómenos mais marcantes não só da Internet como daquilo a que, chamamos “esfera pública”. Os blogs têm vindo a afirmar-se em todos os domínios das sociedades contemporâneas e a abarcar os temas que, nestas sociedades, são susceptíveis de mediatização, isto é, praticamente todos.



É a possibilidade de escrever anonimamente que dá à Internet a facilidade de se relacionar intensamente com o rumor. Mas não só: a instantaneidade de circulação da informação transforma um processo que implicava, antes, bastante tempo numa marcha acelerada.
Mas se a Internet é considerada hoje um meio de difusão com força suficiente para se igualar (ultrapassar?) os três clássicos, a sua maior força (a capacidade de democratização) pode também ser a sua maior vulnerabilidade.
A Internet, como meio de difusão de massas, não é um meio fechado a que só alguns têm acesso, seja por falta de licenças (rádio ou televisão) ou dinheiro (televisão e imprensa), mas sim um meio que pode chegar a toda a gente – pelo menos no mundo mais desenvolvido. Aberto à construção de quem saiba manipular a linguagem “html” e à visualização num telemóvel. Em dez anos, juntaram-se milhões de pessoas a saber construir a sua própria pagina ou, menos, a alterar a dos outros.
A actuação sob anonimato tem mais uma consequência directa: a Internet é uma actividade muito pouco controlada.
A democratização no acesso, o anonimato e a rapidez de transmissão resultam numa mistura explosiva, propícia à transmissão de informações falsas (ou, pelo menos, por confirmar).


Exemplo:
O rumor em Portugal (e na política)
Se pela primeira vez em Portugal houve uma “campanha negra”, na qual o rumor se enquadrou (voluntária ou involuntariamente), e se nunca um rumor tinha sido associado tão directamente a um processo eleitoral, também é certo que não foi este em concreto que estreou Portugal nos rumores políticos. Há, até, um caso muito exemplar, uma vez que foi publicado pela revista francesa “Le Point” em Junho de 03 (envolvendo, alegadas homossexualidades).
Mas os rumores, basicamente, têm poupado os políticos – artistas ou jogadores de futebol têm sido os alvos mais preferenciais (um dos casos mais conhecidos acabou por ser desmentido em directo na televisão, mas com consequências muito negativas para a carreira do jogador e do cantor em questão. (Conhecido como o caso Calado-Melão, foi o destaque do programa “Herman Sic” em Outubro de 2000). Ou seja, nada que se compare com o que acontece, por exemplo, em França, onde há registo de três ministros que se suicidaram, directa ou indirectamente, na sequência de boatos (Roger Salengro, em 1936, Robert Boulin, em 1979, e Pierre Béregovoy, em 1993).
É, portanto, possível dizer que os portugueses foram apanhados desprevenidos quando se aperceberam que, à medida que decidiam o seu voto para as eleições, tiveram de se relacionar com o rumor envolvendo o líder do PS (até então os rumores eram inofensivos ou sem consequências para a vida colectiva – como os que falam em relacionamentos extra-conjugais).
Se o rumor teve uma origem bem definida (ou, pelo menos, se houve um aproveitamento direccionado), o seu objectivo só podia ser um: desgastar a imagem do líder do PS para beneficiar o outro candidato a primeiro-ministro.



Mas a capacidade humana para a inovação e imaginação é infindável. A próxima, e potencialmente mais imprevisível, zona de expansão na arte das campanhas negativas é a Internet. Na Internet, a disseminação de informação já não é restrita aos profissionais. Os jornalistas, com todas as suas restrições, estão a tornar-se apenas numa, entre muitas, fonte de informação. A fronteira entre notícias e opinião esbateu-se, provavelmente para sempre, devido à proliferação de amadores na arte das notícias na Internet e também devido a muitas das práticas dos próprios jornalistas profissionais, sobretudo na televisão. Nos EUA, os jornais e as revistas estão em declínio e o jornalismo radiofónico e televisivo atingiu uma plataforma estável, não estando a conquistar novas audiências.
O que está a explodir é a variedade de informação disponível na Internet: informação em bruto, sem filtragens e censuras. O veículo mais comum para a disseminação de notícias e opinião são os blogs, em proliferação massiva. Existem blogs de todas as tendências políticas possíveis. E se antes costumavam estar limitados a um pequeno grupo de pessoas que sentia a necessidade de apresentar as suas opiniões a um grupo que partilhava interesses semelhantes, hoje falamos de “blogosfera”.
A emergência da blogosfera representa uma verdadeira mudança na dinâmica da gestão de informação, que já não se limita a uma elite de reconhecidos canais de media, estando disseminada por cada vez mais pessoas. De certa forma, pode mesmo afirmar-se que a informação está cada vez mais democratizada – o que é bom ou mau, dependendo do ponto de vista.

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