23.5.07

Aula 17 Soundbites


O soundbite é uma forma de manipulação da opinião pública muito simples e eficaz, que visa a criação de uma frase curta com uma ideia chave, com intuito de que essa seja repetida pelas pessoas e vá directa ao coração do jornalista. O soundbite é mais que um slogan. É sim a redução de um discurso ou de uma ideia a uma mínima expressão “infalível” para prender a atenção dos media e que fique na cabeça de todos.


Citação:
“Os discursos são assim, carregados de soundbites – palavras ou pequenas frases que são pensadas pelos políticos de modo a serem repetidos pelos meios de comunicação social. Divulgados em pseudo-eventos como um congresso de um partido, os discursos políticos tentam satisfazer as necessidades dos jornalistas de frases facilmente reportáveis com informação política de modo favorável ao partido. Um exemplo célebre de um soundbite que resultou muito eficaz, foi pronunciado por Tony Blair, na Grã-Bretanha: “duro com o crime, duro com as causas do crime”.
Gonçalves, Vítor – Nos Bastidores do Jogo Político, O Poder dos Assessores, Edições Minerva Coimbra, 2005, pág.59 e 60.

"Sangue, suor e lágrimas" (Churchill)


Primeiro discurso de
Winston Churchill na Câmara dos Comuns enquanto primeiro-ministro britânico, em que apresentou uma Moção de Confiança ao Governo que ia dirigir.
Winston Churchill foi nomeado primeiro-ministro em 10 de Maio de 1940, devido à demissão de Neville Chamberlain, primeiro-ministro britânico. Esta demissão foi provocada pelo início da campanha militar alemã contra as potências ocidentais, iniciada nesse mesmo dia 10 de Maio com a invasão da Holanda, Bélgica, Luxemburgo e França.
Churchill organizou um governo de unidade nacional, com a participação dos líderes do Partido Trabalhista e do Partido Liberal, e apresentou-se na Câmara dos Comuns com uma Moção de Confiança, que foi aprovada.
Neste discurso, um dos seus mais célebres, mostrou mais uma vez os seus dotes oratórios, a sua capacidade de liderança e a facilidade em criar frases de grande impacto que resumiam bem, tanto o seu estado de espírito, como os problemas a enfrentar e as soluções possíveis.
A frase que utilizou para explicitar o futuro é de uma simplicidade e de uma força impressionantes - e a brutal verdade. Actualmente, simplificada, ainda tem mais impacto: O futuro? «Sangue, suor e lágrimas». E de facto assim foi.


Exemplo:

A vitória de Portugal sobre a Inglaterra foi um "milagre", refere hoje o Titan, o maior jornal desportivo chinês, que elogia a actuação do guarda-redes Ricardo no encontro dos quartos-de-final do Mundial de futebol Alemanha2006.
(...)"Scolari utilizou toda a sua táctica para derrotar a Inglaterra, e os jogadores ingleses estão agora muito tristes," refere o jornal que considera ser hora de a Inglaterra voltar para "o sangue, suor e lágrimas", citando a frase proferida pelo ex-primeiro ministro britânico Winston Churchill durante a II Guerra Mundial.”

Aula 16 Custódio Oliveira no Isla-Gaia


No passado dia 21 de Março de 2007 realizou-se uma conferência no Isla Gaia que contou com a presença de Custódio Oliveira ex-assessor de imprensa de Fernando Gomes e proprietário da empresa Omnicinal, durante a conferência foram abordadas várias questões tais como: o seu percurso profissional, o seu trabalho na câmara e no ministério, o seu trabalho como estratega da comunicação entre outros.
Uma das questões que vai de encontro ao objectivo proposto pelo professor João Paulo Menezes para a aula 16 do blog. Poderemos considerar o exemplo dado e relativo ao «Parque da Cidade» do Porto como um pseudo-acontecimento, inserido numa estratégia de comunicação? Porquê? Um pseudo-acontecimento é uma espécie de falsa realidade transportada para o exterior por alguém que tem um especial interesse nisso. Neste caso a ideia era desviar a atenção dos jornalistas e do público para o caso do parque da cidade esquecendo um pouco as noticias negativas que envolviam a construção shopping do bom sucesso.

Citação:
“Uma grande percentagem das notícias publicadas na imprensa, rádio e televisão inclui informação baseada em “pseudo-acontecimentos” que Boorstin (1961) define como possuindo as seguintes características: não são espontâneos; surgem porque foram planeados; são criados para serem cobertos pelos média; o seu sucesso mede-se pela amplitude da sua cobertura; a sua relação com a realidade subjacente à situação é ambígua e, geralmente, funcionam como uma auto promoção.”
(SERRANO, Estrela, As presidências abertas de Mário Soares, Minerva, Coimbra, 2002, pág. 23).


Custódio Oliveira deu um exemplo de um pseudo-acontecimento. A construção do shopping cidade do porto o bom sucesso.
Este assunto gerou alguma controvérsia em torno daquele que era considerado um autêntico "monstro" de betão, ao longo de várias semanas marcou a agenda dos jornais do porto, todos os órgãos de comunicação falavam daquele tema que estava na ordem do dia.
O presidente tinha como seu assessor de imprensa Custódio Oliveira que rapidamente se apercebeu de uma situação menos favorável que podia afectar a imagem de Fernando Gomes e cada dia que passava a construção do shopping parecia não ter fim á vista.
A um ano e meio das eleições foi traçada uma estratégia de resposta a este problema do bom sucesso. Uma estratégia baseada na prática da comunicação de crise. A ideia era mostrar que não queriam uma cidade de cimento "betão 'versus' verde".
Fez-se uma aposta forte no parque da cidade do porto que já tinha um projecto de passar ao meio uma avenida, ia ser uma auto-estrada mais tarde iam ser feitas casas ao lado da via, o parque não seria nada daquilo que vemos hoje.
Fernando gomes reuniu jornalistas, arquitectos para que fosse encontrada uma solução, a decisão final foi não vai haver nenhuma avenida a atravessar o parque este vai ser o maior parque urbano da Europa, tendo em mente sempre a ideia dos espaços verdes.
Em função disto foram criados dezenas de actos de comunicação, arranjaram helicópteros da força aérea para mostrar as zonas verdes aos jornalistas.

Citação:
Se não fosse o buraco do bom sucesso não teríamos o parque da cidade tal e qual ele é”. Custódio oliveira

Custódio oliveira afirma que o parque da cidade foi das coisas mais positivas do mandato de Fernando gomes este é filho do buraco do bom sucesso”.

aula 15 Exemplos de «factos políticos»

  • “Esta candidatura marca um facto político irreversível: ela assume o direito de pensar, de criticar, de agir e combater. Ela constitui-se como um movimento de inquietação cívica mobilizador de jovens por todo o país, de norte a sul, do litoral ao interior. Ela assume o romantismo e a seriedade que o exercício da política tem perdido, ela recupera o valor da consciência e de como ela é soberana nas decisões.”

  • “Os líderes políticos demonstraram compreender que o facto político da guerra civil gerava uma condição política excepcional, que impossibilitava a realização de eleições nacionais enquanto ela estivesse ocorrendo”.
    “O “facto político” da guerra civil gerava um facto jurídico de natureza excepcional, que tinha a força de relativizar, no mundo real, o cumprimento do calendário eleitoral, previsto na constituição.”

  • “Não falamos aqui do alegado cansaço de Freitas do Amaral, o ministro português dos Negócios Estrangeiros. Referimo-nos, neste caso, ao aparente cansaço dos britânicos face a Tony Blair. Numa verdadeira democracia, como é a inglesa, dificilmente algum chefe de governo conseguirá passar além de dois mandatos e, mais difícil ainda, passar além dos três. Por mais evidentes que sejam as suas qualidades políticas e as suas potencialidades carismáticas, chega-se a uma altura em que os erros, próprios ou dos que lhe são próximos, com foi o caso, e ainda as dificuldades conjunturais, acabam por impor a sua lei. Ao fim de alguns anos, e em circunstâncias negativas muito específicas, o chamado carisma já não conta. O caso de Margareth Tatcher chega para o demonstrar e Tony Blair parece ir pelo mesmo caminho.A derrota eleitoral de Tony Blair foi objectivamente grave, mas o primeiro ministro teve ainda uma ponta de sorte: as sondagens, de tão pessimistas que eram, acabaram por dar uma ajuda. Afinal, o partido trabalhista não descera tão fundo como previam as sondagens, o que funciona como uma espécie de alívio inesperado. Em política, não perder pelos números esperados, já constitui uma pequena vitória. Veja-se o que aconteceu em Itália com Berlusconi, embora os números não sejam sequer comparáveis. E o primeiro ministro inglês nem aguardou pela divulgação dos resultados finais do sufrágio para anunciar uma profunda remodelação do seu governo, na tentativa de criar um facto políticocapaz de dar a volta ao sentimento generalizado de protesto e de cansaço que os resultados destas eleições vieram confirmar. Tratou-se, é certo de eleições autárquicas, e de eleições parciais, que não podem extrapolar excessivamente. Também é verdade que não é a primeira vez que Tony Blair enfrenta situações difíceis, algumas das quais conseguiu superar, de forma surpreendente. Mas, neste caso, tudo indica que nem o seu eterno sorriso conseguirá apagar as marcas do cansaço. Dos britânicos e dele próprio.”

  • (…)”Foi invocando este preceito que o leitor J. B. César dirigiu ao provedor algumas críticas sobre o tratamento jornalístico, por parte do PÚBLICO, do conflito no País Basco entre a organização separatista ETA e o Estado espanhol. Diz: "Sob o ponto de vista de um jornalista do PÚBLICO, é ligeiro e denota juízos de valor preconcebidos classificar uma das partes da contenda de 'terrorista'. (...) Os pruridos dispensados a quem coloca bombas ou dispara tiros na nuca a adversários desarmados poderão soar a cinismo. (...) Mas do que aqui se fala é do tratamento noticioso que se está a dar a um facto político que, infelizmente, resvalou para a luta armada. E, nesse contexto, parece-me que (...) não deveria o jornalista de Madrid [Nuno Ribeiro] envolver-se em análises subjectivas de carácter pessoal (...) ou tomar partido por uma das bandas de um conflito".

  • (…)“Um outro facto, ao invés, mereceu uma atenção mediática inversamente proporcional à sua mais valia nacional. Ao atacar Maria José Morgado, Paulo Portas visou criar um facto políticocom dois objectivos dar corpo ao levantamento interno contra Ribeiro e Castro, provando que com o estalar de um dedo consegue fazer virar para si todos holofotes; dar continuidade à sua antiga urticária contra uma mulher afastada do combate ao crime durante os tempos em que co-governava (?) o país. O ataque nada tinha, portanto, a ver com o que era enunciado já que Portas bem sabe que a cidadania ainda não morreu e nem só quem colabora com o CDS tem direito ao bom nome em Portugal.”

Aula 14 Afirmação de uma mensagem através de uma estratégia de comunicação o caso Vítor gomes

Na aula ficamos a conhecer a história de Vítor Gomes, de 36 anos, natural de Nogueira é o protótipo do self-made man. Conseguiu edificar um império de restauração no interior norte do país, de que fazem parte as empresas Big Bob’s (hambúrgueres), Pizza Mais e F’Grill (frangos). Mas visa internacionalizar o seu grupo de empresas.
Podemos considerar a McDonald’s como o seu principal concorrente. È necessário definir uma estratégia. Vitor Gomes depara-se com um problema de imagem, que se deve em parte a um passado boémio, correm rumores de que este empresário esteve ligado a práticas ilícitas, nomeadamente à toxicodependência, chegando mesmo ao ponto de dizerem que esteve preso.
O objectivo de Vítor é limpar a sua imagem perante o público podendo assim expandir o seu negócio:

Ideias chave:
"Big Bob’s venha saborear".

Poderia patrocinar um evento musical na região norte. Ao faze-lo iria, certamente, divulgar os seus produtos vendendo-os no local do evento.

Penso que Vítor Gomes deveria participar em campanhas de solidariedade. O nome do seu restaurante devia estar associado a determinadas instituições. Isto faria com que os seus clientes na compra dos produtos estivessem a contribuir para uma causa nobre.

Organizar grupos de amigos por cada grupo de cinco amigos tinham um desconto especial nos menus.

Cada cliente ter um cartão personalizado, de forma a fidelizar a clientela. Este cartão acumula pontos cada hambúrguer comprado equivale a 1 ponto ao fim de 5pontos oferecia um hambúrguer grátis. Fazer várias promoções em cada mês.


Público-alvo: Todos os habitantes de Nogueira próximo de Bragança

Meios de comunicação: Outdoors em vários pontos da cidade com um slogan apelativo, criação de um site na Internet, publicação de anúncios nos jornais da região e também a divulgação da sua empresa nas rádio locais.

Aula 11 Os jornalistas estão nas mãos das fontes?

«CERCA de 70% das notícias publicadas nos jornais portugueses têm como origem as agências de informação ou os gabinetes de Imprensa». Este é o resultado de um estudo efectuado por uma das mais antigas agências a operar em Portugal, a Emirec, e confirma uma perigosa tendência dos órgãos de Comunicação Social para se converterem em «receptores passivos» de informação, abandonando progressivamente a sua vocação de mediadores directos entre as fontes noticiosas e os seus leitores.
Os primeiros indícios do fenómeno remontam a 1997, ano em que um trabalho relativo a três jornais diários de grande expansão («DN», «JN» e «Público») concluía que das 28 notícias de primeira página apenas três não tinham como origem as chamadas «fontes organizadas de informação», ou seja agências, assessorias e gabinetes de Imprensa. O estudo registava ainda que «DN» e «Público» apresentavam a mesma manchete e que apenas quatro notícias feitas a partir de informação das agências foram tratadas jornalisticamente.

Cada vez mais reconhece-se o papel decisivo que as fontes desempenham na produção noticiosa.
Hoje em dia não há jornalismo sem fontes, não há notícias se não houver quem as dê a conhecer aos jornalistas.
Os jornalistas hoje em dia vão tendo cada vez mais noção que a informação que lhes chega pode não corresponder 100% à realidade. Os jornalistas estão mais hostis, tentando cada vez mais apurar os factos e não confiar apenas na palavra de um assessor, ao mesmo tempo que os jornalistas tentam não se deixar enganar, os assessores aperfeiçoam cada vez mais as estratégias de comunicação, sendo estas cada vez mais dissimuladas, para que os jornalistas não desconfiem de nada.
Chegamos à conclusão que toda informação que parte de um assessor de imprensa para um jornalista faz parte de uma estratégia de comunicação, essas informações previamente elaboradas, tem um determinado objectivo. Daí que os jornalistas devem sempre desconfiar da informação sem a recusar, tendo sempre em conta que cabe a ele decidir a publicação ou não de determinada informação, tendo sempre o seu espírito crítico apurado.


Citação:

“ O jornalista embora podendo considerar o assessor de imprensa como uma fonte de informação fidedigna, jamais deve assumir como inquestionável o material informativo que recebe das suas mãos. Por outras palavras, a matéria informativa recebida pelo jornalista pode e se calhar deve ser confirmada junto de outras fontes estranhas ao primeiro «informador»”
(LAMPREIA, J. Martins, A Assessoria de Imprensa nas Relações Públicas, Publicações Europa-América, 2ª edição, pág.67).

Pois quem lhes liga não é inocente, é alguém que tem como principal objectivo passar as suas mensagens no espaço mediático.
Para os jornalistas é essencial ter uma visão crítica, de publicar ou não, de dar mais ou menos destaque, de procurar outro ângulo outra visão das coisas. Ser independente e crítico, já que o jornalista é constantemente assediado pelos assessores. O assessor de imprensa sabe cada vez mais de tudo, porque se relaciona de forma directa com os acontecimentos. Mesmo o assessor sendo um precioso auxiliar na obtenção de informações, o jornalista pode sempre complementar essas informações junto de outras fontes. Convém, não esquecer que o assessor de imprensa serve os interesses da instituição para quem trabalha, enquanto que o jornalista orienta a sua acção em função do interesse do público.
Será que o Jornalista tem consciência que quando é procurado pelo Assessor de Imprensa é usado como um veículo de informação? Mediante esta questão pode-se dizer que há cada vez mais uma preocupação em comunicar melhor e fazer tudo de forma subtil.

Os Assessores de Imprensa são cada vez mais técnicos bem formados que elaboram uma estratégia de comunicação com a colaboração, consciente ou inconsciente, do Jornalista. Este tem de respeitar em primeiro lugar a vontade do patrão e com isso pode nem sempre estar a ser sincero com o jornalista.
O assessor de imprensa pode-se considerar o principal informador dos jornalistas. No entanto, os assessores não podem exigir que as suas informações sejam divulgadas pelo jornalista. Este, por seu lado, ao receber informações de assessores de imprensa não está a assumir qualquer compromisso no que respeita à sua divulgação.

Chegamos à conclusão de que o assessor de imprensa pode, muitas vezes, “manipular” o jornalista em função dos seus interesses.
Considero importante o bom entendimento entre os jornalistas e assessores esta relação benificia ambas as partes.

Citação:

“A chave das boas relações é a prontidão, a veracidade, a concisão e o interesse das notícias e o material editorial fornecidos aos órgãos de comunicação social pela empresa.”

(LAMPREIA, J. Martins, A Assessoria de Imprensa nas Relações Públicas, Europa-América, 1999, 2ª edição, pág.70)

Em suma: Os jornalistas só ficam nas mãos das fontes se estes não questionarem tudo aquilo que recebem por parte destas, devem sempre duvidar de tudo. Nunca poderão levar como certa toda a informação passada pelas fontes, nem publicar a mesma sem a submeter a um rigoroso tratamento jornalístico. Contudo, será a procura pela garantia da veracidade que vai servir de suporte para a legitimação do papel do jornalista.


aula 10 o vai e vem dos assessores

Na minha opinião, o ponto da questão não está na ida de jornalistas para a assessoria de imprensa, está no regresso destes aos jornais.
O ex-assessor, agora jornalista, vai conseguir fazer o seu trabalho de forma imparcial? Acho difícil que uma pessoa que trabalhou durante anos com outra, estabelecendo uma relação de amizade e de proximidade, seja depois capaz de tratar com isenção essa mesma pessoa.

Os assessores tornam-se em muitas situações pessoas com muita responsabilidade, o lugar de assessor é um lugar de confiança pessoal.O assessor depende diariamente da confiança do político o que torna a actividade muito precária este pode ser substituído a qualquer altura, basta que para isso se quebre esta confiança, isto coloca o assessor nas mãos do político. O assessor de imprensa tem de fazer o que lhe é mandado, ainda que não coincida com aquilo que pensa, pois se não o fizer é despedido. O assessor está na mão do patrão.Para mim, a transferência para a assessoria de imprensa é uma mudança de carreira perfeitamente legítima mas no caso de um jornalista deve ser devidamente ponderada, porque me parece um caminho sem volta.
Concordo com a opinião de Rui Cádima quando diz que o ideal seria que na lei houvesse uma clara desmotivação do retorno à profissão dos assessores do poder. Uma reserva de seis meses continua a ser, no fundo, um convite à serventia política dos ditos "jornalistas".

Os jornalistas são, em geral, muito críticos relativamente aos seus pares que interrompem a profissão para exercerem funções de assessoria de imprensa. De facto, ser assessor de imprensa de uma personalidade ou instituição política, pressupõe um contrato, explícito ou implícito, entre assessor e assessorado, baseado em afinidades pessoais e políticas, que obriga o assessor a um dever de lealdade para com o assessorado.Ora, o contrato do jornalista é com os cidadãos e a sociedade, que esperam receber dele informação rigorosa e independente sobre o que acontece no mundo. Em troca da independência a que está obrigado, o jornalista é credor de confiança, credibilidade e autoridade, as quais lhe conferem uma legitimidade e um estatuto que o colocam acima de quaisquer interesses e inclinações, sejam eles de natureza pessoal ou política, respeitem a instituições públicas ou privadas.
Quando analisamos o caso deontologicamente não fica bem aos próprios jornalistas essa transição imediata.
Sendo a actividade de relações públicas uma actividade não regulamentada em Portugal, é normal existir esta situação de vai-vem. Qualquer jornalista pode desempenhar as funções de assessor de imprensa.
De acordo com o estatuto do jornalista (artigo nº3), o jornalismo só é incompatível quando exercido em simultâneo.
Esta lei, que proíbe uma conciliação entre as funções, não impede a mobilidade profissional nem prevê um período de quarentena que impeça o jornalista que venha de assessoria de incidir nas temáticas relacionadas com o seu cargo anterior.
Mas, esta situação coloca, também problemas éticos. Pois, será que alguém que trabalha como assessor de um determinado político, vai depois entrevistá-lo como jornalista? Será que não se encontra numa situação privilegiada em relação aos seus colegas de trabalho e tem mais conhecimentos que os outros não têm? É uma situação desleal para com os outros jornalistas.
Um antigo jornalista, agora assessor de imprensa, sabe o que os antigos colegas de trabalho querem e, por isso, cria mensagens apropriadas.
Sendo indiscutível a importância do jornalismo para a credibilidade da mensagem de relações públicas, é aos jornalistas que se recorre. O jornalismo é o campo de recrutamento preferencial dos assessores de imprensa.


“O responsável pelo serviço de imprensa deve ser um jornalista, trabalhando para uma empresa em vez de para um órgão de informação, sendo até preferível que já tenha exercido essas funções, visto tal experiência lhe trazer um conhecimento desejável das pessoas ligadas ao meio jornalístico”.(LAMPREIA, J. Martins, A Assessoria de Imprensa nas Relações Públicas, Publicações Europa-América, 2ª edição, pág.15)

O estatuto do jornalista não permite acumulação uma pessoa não pode ser ao mesmo tempo jornalista e assessor de imprensa. Há um problema de incompatibilidade. Em Portugal, os jornalistas não podem, assim, exercer, ao mesmo tempo, a assessoria de imprensa, em razão do conflito de interesses que pode emergir dessa situação. Por exemplo, se um assessor de imprensa assessora de manha determinada empresa e á tarde, no seu jornal, recebe informações que podem prejudicar essa mesma empresa, será que fará uma notícia lesiva para a empresa onde obtém parte dos seus rendimentos?Provavelmente, não.

Aula 9 Comunicação de crise caso 11 de Março

Citação:

“A Comunicação de Crise começa antes da Crise e a previsão e a preparação são as melhores armas com que uma instituição pode contar”

(Martins, Luís Paixão, Schiu… está aqui um jornalista, 2ª edição, Editorial Notícias, pág.112).


José Maria Aznar do PP e José Luís Zapatero do PSOE na corrida ás eleições de 14 de Março em Espanha.
A 11 de Março de 2004, Espanha estava em vésperas de eleições e foi vítima de um atentado terrorista. O Governo, na altura conduzido por Aznar, tentou usar os atentados aos comboios em Espanha para reforçar a vantagem que tinha sobre o adversário e voltar a ganhar as eleições.
O partido do PP espanhol adiantou-se logo a atribuir a origem dos atentados á ETA (sendo que a ETA reivindica sempre os atentados que faz), o que não aconteceu, e mesmo quando se aperceberam que estavam enganados não emendaram o erro que tinham cometido. Como tal, o PP perdeu porque mentiu e porque se tentou aproveitar de uma tragédia para reunir votos. Porque juntou à mentira da guerra, que já incomodara, e muito, os espanhóis, a mentira da autoria do atentado.

O governo Aznar havia entrado na guerra do Iraque contra a vontade de mais de 90% da população espanhola, ao lado dos Estados Unidos e do Reino Unido, e o atentado poderia ser uma resposta a este posicionamento espanhol. Friamente falando, a culpabilidade do ETA beneficiaria o PP e a culpabilidade de Al Qaeda beneficiaria os socialistas, o PSOE, nas eleições do 14 de Março
O povo quis penalizar severamente a mentira Como? Invertendo completamente o sentido de voto num espaço de horas.
“Consumada a tragédia e contados os votos, jornais influentes acusam um presidente de governo de, pessoalmente, lhes mentir, a propósito da autoria do mais mortífero atentado terrorista realizado no país. A intenção seria manipular a vontade popular na hora do voto, mas o plano não resistiu o tempo suficiente para vingar, porque a liberdade de informação prevaleceu sobre a tentativa do seu controlo, transformando em castigo o que o autor pretendia que fosse prémio: José Maria Aznar e o PP perderam umas eleições cujas sondagens lhes davam a vitória.”

link: aznar fez uma "gestão egoista" do 11 de março

Aula 8 Press release

Comunicado á Imprensa


Luar de Prata, lda.
Rua de são Januário, 45, Valparaíso
Contacto: Jaime Ferreira. Tel.21378 (escritório)
Tel.33631 (casa)

Para publicação imediata

Uma descoberta útil



Para canhotos


Os canhotos podem agora beneficiar de um novo artigo que irá para o mercado na próxima sexta-feira. «a caneca esquerdina», assim designada, é muito funcional, pois apresenta a asa do lado esquerdo em vez do lado direito.

O primeiro a experimentar o produto foi o esquerdino Herberto Mendes. «é uma maravilha», disse ao tomar, alegremente, a sua segunda caneca de chá, «a minha caneca anterior tinha a asa do lado direito e eu estava sempre a entornar chá na camisa. Agora não entornarei nem mais uma gota».

A nova caneca vai estar á venda na Luar de Prata, lda., na rua de são Januário. O director administrativo da Luar de prata, Jaime Mendes, terá o prazer de oferecer um pacote de chá gratuito, na compra de uma caneca, durante a primeira semana apenas.

Fim

30 de Fevereiro de 19xx

aula 7 Há razões para os assessores e jornalistas se darem mal?

Tudo o que é importante na convivência entre dois jornalistas. Ética, respeito, honestidade intelectual, tudo isso vale. Até porque a relação é de duas vias: existem assessores que procuram jornalistas (interessados em publicar no meio) e jornalistas que procuram assessores (interessados na fonte de uma determinada instituição ou personalidade). Ou seja, dependendo do caso, ambos possuem muitas vezes desafios parecidos.
Com base no pressuposto de que ambos são jornalistas, o interesse comum é a divulgação da informação. Além, disso o cultivo da ética deve ser preservado, seja no processo de produção da notícia original, seja em sua adaptação para a veiculação.
A formação comum e a actuação distinta não podem, no entanto, provocar uma relação de dependência que distancie os dois da profissionalização e da ética necessária ás actividades que desempenham. O respeito aos limites e às expectativas no âmbito das funções permitem o desenvolvimento de um relacionamento pautado pela credibilidade nas intenções e nas acções de cada profissional.
Na assessoria de imprensa o que move os profissionais é a conquista de uma imagem positiva da instituição perante a opinião pública. O desafio destes profissionais é não só construir como consolidar essa imagem. A competitividade crescente no mundo dos negócios levou á qualificação e á especialização dos profissionais que actuam na área.


Citação:


“Muito se tem escrito sobre o papel destes profissionais da comunicação (...) que ao serviço de uma instituição, empresa ou organismo, «envenenam» os verdadeiros jornalistas, «vendendo-lhes» notícias ou informações que estes últimos não deveriam «comprar»...”
( Lampreia, J. Martins, A Assessoria de Imprensa nas Relações Públicas, Publicações Europa-America, 2ª edição, pág. 66 )

A partir do momento em que o objectivo da mensagem seja passar na comunicação social, parece obvio que o campo preferível seja os jornalistas.Daí que o trabalho do assessor de imprensa seja muitas vezes feito por jornalistas. Ninguém melhor que os jornalistas sabe o que eles próprios querem, o que irá ser considerado noticia, até mesmo a forma de apresentar a informação pode ser notícia, daí que o jornalista seja o melhor campo de recrutamento.

A relação entre o jornalista e o assessor é importante, ambos querem que as suas mensagens passem para o espaço mediático.
Os assessores de imprensa exercem a sua actividade ao serviço de uma instituição, empresa ou organismo. São eles que consciente ou inconsciente vendem, noticias ou informações verdadeiras ou falsas aos jornalistas.
O assessor ao entregar as informações ao jornalista, este tem liberdade de escolha para decidir se publica ou não o conteúdo das informações, até porque compete ao jornalista saber aquilo que pode ou não ser noticia.

(Lampreia, J. Martins, A Assessoria de imprensa nas Relações Públicas 2ª edição, Publicações Europa América, 1999).

Exemplo:

O trabalho de Jamie Shea, porta-voz da NATO“Em certos casos, a figura do Assessor de Imprensa assume aspectos tão ou mais importantes que a do responsável máximo duma instituição. Foi o que se verificou em 1999 durante a guerra do Kosovo em que Jamie Shea, o porta-voz da NATO, foi a figura que mais se destacou aos olhos da Opinião Pública, devido às suas aparições diárias, para fazer o ponto da situação aos Jornalistas. Ao fim de quatro semanas de conflito a maioria das pessoas era incapaz de identificar ou de se lembrar dos nomes das altas patentes militares, ou políticas, da NATO. Em contrapartida todos estavam familiarizados com a figura do porta-voz da organização.”

(LAMPREIA, J. Martins, A Assessoria de Imprensa nas Relações Públicas, Europa América, 1999, 2ª edição, pág.14.)

links: o contacto com o jornalista

assessores e jornalistas

aula 6 criar uma empresa de relações publicas

Comrel

Sempre Consigo

O que fazemos

Somos um grupo de profissionais, onde as ideias irreverentes e inovadoras nas vertentes da comunicação e relações públicas se materializam num trabalho criativo.
Enquanto empresa de comunicação e relações públicas, procuramos resolver os desafios, respondendo de forma profissional ás expectativas e necessidades sentidas pelos clientes.
Pretendemos desenvolver e gerir programas de comunicação que resultem num retorno visível para os nossos clientes. A ComRel oferece uma vasta gama de serviços de comunicação. Proporciona ainda aos seus clientes aconselhamento e consultoria estratégica ao nível de vários serviços complementares.


Comunicação de crise

Dotamos a empresa de capacidade de reacção organizada, adequada á transmissão da informação numa situação de crise.
São várias as situações que podem desencadear uma situação de risco, susceptível de afectar negativamente a imagem e a reputação de uma empresa.
De modo a poder antecipar e evitar o desgaste que uma situação de risco poderá representar para uma empresa, a ComRel oferece as ferramentas que permitem aos seus clientes lidar com a situação em causa, minimizando assim os danos e salvaguardando um dos activos mais importantes de uma organização, a sua imagem.

Gabinete de Crise
Criação de Manual de Crise
Levantamento e análise de cenários
Desenvolvimento de mensagens chave
Media training e preparação de porta-vozes e interlocutores


Comunicação interna

Desenvolvemos planos de comunicação que contribuem para o desenvolvimento de um clima interno positivo.
A Comunicação Interna consiste, essencialmente, numa compatibilização dos objectivos da organização com as motivações do cliente. É uma abordagem do interior para o exterior da organização através da qual se procura que os vários quadros da organização sintam empatia e identificação com os valores e objectivos da mesma.

Auditoria
Estratégias de comunicação Interna
Definição de fluxos de comunicação
Desenho e implementação de meios de comunicação interna
Criação de cultura de empresa
Formação
Realização de acções de incentivo


Comunicação institucional

Desenvolvemos e implementamos programas de comunicação que visam a promoção das instituições.
Este serviço, consiste em trabalhar a imagem da empresa e gerir a sua reputação junto dos seus diversos públicos, através da selecção de técnicas de comunicação mais adequadas.

Gestão da reputação empresarial
Programas de responsabilidade social empresarial Gestão e comunicação de crise
Prevenção da crise
Comunicação interna


Relação com os media

Acções destinadas a abrir e/ou manter um canal organizado e sistemático de relacionamento entre empresas/entidades e a imprensa.

Gestão da relação com os media
Planificação e execução de planos de comunicação
Tratamento editorial da informação
Gestão do interesse dos media


Organização e gestão de eventos

Concebemos e organizamos eventos dos mais diversos formatos.

Criação e implementação de stands e expositores
Webdesign e projectos multimédia.

Organização de eventos institucionais: seminários, congressos, workshops e fóruns.

Organização de eventos lúdicos: animação cultural e produção de espectáculos

site: http://estrategias0607.blogsome.com/2006/11/19/aula-5-2/

contactos: tel:22345648/fax:22345649