5.6.07

Aula 23 Karl Rove

1) Em Agosto, 2004, na Convenção Nacional Republicana, numa entrevista com a cnn, Rove negou que era responsável

"KARL ROVE, PRESIDENTIAL ADVISER: I didn't know her name. I didn't leak her name."

Aula 22 Filme Manobras na Casa Branca



“Manobras na Casa Branca” ou “ wag the dog”, como originalmente é chamado, é um filme de 1998 realizado por Barry Levinson.O filme mostra-nos algumas manobras usadas por um spin doctor (Bean) para limpar a imagem de um presidente.O filme conta com a participação de Dustin Hoffman e Robert de Niro nos principais papéis.Os assessores do presidente dos EUA descobriram que o jornal “Washington Post” ia publicar uma notícia sobre um escândalo sexual que envolvia o Presidente e uma jovem estagiária da Casa Branca. A onze dias das eleições, era necessário criar uma manobra de diversão para que a opinião pública não mudasse de opinião sobre o candidato a Presidente.Para isso era necessário abafar o caso e distrair a atenção do povo americano.Para que a conduta do presidente não deite abaixo todo o trabalho que já o havia colocado numa posição favorável em relação ao seu adversário (as sondagens previam uma vantagem de 17%) é necessário encontrar uma solução que evite que o escândalo tome conta da agenda mediática.Conrad Brean (Robert de Niro), um consultor político da confiança do presidente, é contratado e consegue revirar a situação.

1) Nos dois filmes os presidentes ganham as eleições.


2) Manipulação e mentiras são os ingredientes principais, já que tudo que os assessores fazem nos filmes é mentir do início ao fim, com o intuito de defender e proteger a imagem do presidente. Os consultores dos dois filmes utilizaram um conjunto de técnicas de maneira a tentar recuperar a imagem dos presidentes que estava um tanto ou quanto negativa.


3) Também no filme manobras na casa branca á semelhança de Boris, a personagem do presidente é apenas referida (A imagem do Presidente esta sempre oculta), e raramente tem influência concreta na tomada de decisões.


4) Em ambos os filmes se recorre a técnica do “focus group” organizam-se grupos de pessoas que irão reflectir a opinião pública permite-lhes testar argumentos, as imagens, os slogans e os cartazes. Tem como finalidade escolher a imagem mais favorável, (segundo a reacção de um grupo de indivíduos eram escolhidas as imagens do Presidente que iriam ser veiculadas junto do resto da população).


5) Tanto no filme Boris como no filme Manobras na Casa Branca foram utilizados vários anúncios e slogans.

aula 21 Spinning da informação

Existem duas realidades para a palavra manipulação. A primeira é no sentido de destacar um facto em detrimento de outro e a segunda a mentira, a artificilalização, o spin doctor encaixa na segunda realidade.

Definição:Spin doctor/spin – Assessor de mídia ou consultor político contratado em uma campanha para garantir que o candidato receba a melhor publicidade possível em uma dada situação. Por exemplo, após um debate entre candidatos à Presidência, o spin doctor de cada candidato procura os jornalistas para mostrar-lhes os pontos fortes de seu candidato e tentar convencer a imprensa e, por extensão, o público, de que seu candidato “venceu” o debate. Quando esses assessores de mídia estão trabalhando, diz-se que estão fazendo spinning ou pondo spin (colocando efeito) em uma situação ou um evento.

O spin doctor é dado como algo depreciativo, não é uma função regulamentada e fácil de caracterizar pelo seu carácter secreto.Spin Doctor pode ser tratado como sendo um mestre da manipulação – faz desviar a trajectória da informação, e manipula-a de maneira a atingir interesses específicos. Esta manipulação é feita de diversas formas, desde alterar, adulterar informação de forma a desviar a atenção. Quanto mais ambiciosa e difícil é a situação, mais necessário se torna recorrer à manipulação.O spin doctor Tem como objectivo influenciar a opinião pública, esta é influenciada através de informações manipuladas que apontam a vitória de determinado candidato em época de eleições.No entanto, este trabalho é feito “às escondidas”, ou seja, nenhum Spin Doctor assume que manipula ou “faz jogo sujo” para conseguir alcançar os seus objectivos.A manipulação tem como finalidade levar o outro a agir ou a pensar como nós queremos, manipular é alterar ou condicionar o comportamento do outro.O spin doctor é aquele que, através do seu vasto conhecimento sobre política e comunicação social sabe, exactamente que caminhos seguir e que instrumentos utilizar para alcançar perfeitamente o seu objectivo.

Uma das dificuldades que os políticos actuais têm de resolver é a que resulta do contraste cada vez mais acentuado entre a complexidade dos problemas que defrontam e a hiper-simplificação que é necessário imprimir às ideias para que os media as divulguem e as opiniões públicas lhes concedam um mínimo de atenção. É esse hiato que os “spin doctors” procuram preencher, embora a infelicidade do método tenha ficado para já demonstrada com o episódio das armas de destruição maciça no Iraque.Antes de prosseguir com o tema, convém procurar uma tradução para os termos “spin” e “spin doctors”. O esforço vale a pena porque não devemos iludir-nos e pensar que tais expedientes só se usam no Reino Unido ou em tempo de guerra. Muito pelo contrário, eles estão claramente presentes entre nós, tanto que chega a parecer que a política nacional neles se esgota. O que é então o “spin”? A palavra pode traduzir-se directamente por “urdir” ou “tecer” (como nas “malhas que o império tece”, do poema de Fernando Pessoa) ou figuradamente, como fez recentemente Correia de Campos, por “endireitas”, como equivalente de “spin doctors”.O termo que, todavia, me parece mais adequado será o de “encenação”. A política sempre teve o seu lado de espectáculo que, na sociedade moderna, se acentuou fortemente, ao mesmo tempo que os problemas se tornavam mais complexos e que a expansão da literacia e do acesso à informação exigiam a capacidade de convencer um número crescente de cidadãos quanto à bondade de medidas, nem sempre populares ou fáceis de explicar.A encenação da política foi, por isso, ganhando importância, e acabou por ser distorcida em benefício de duas finalidades principais: (i) fixar a atenção do público em meia dúzia de “factos” ou de princípios que, uma vez aceites como provados ou como bons, passam a servir de fundamento inquestionado de políticas que estão longe de ser inquestionáveis; (ii) criar ou focar factos políticos menores ou meramente virtuais para desviar as atenções daquilo que realmente devia ser discutido.

Aula 20 Manuel Maria Carrilho


A 11 de Maio de 2006 Manuel Maria Carrilho apresenta o seu livro «Sob o signo da verdade» em que diz que foi vitima de uma conspiração de jornalistas, comentadores e uma agência de comunicação para o derrotar nas eleições autárquicas que deram a vitória a Carmona Rodrigues em Lisboa. Carrilho fala em manipulação e numa entrevista à RTP diz que «existe uma corrupção generalizada muito difusa» envolvendo jornalistas e a actividade das relações públicas. Carrilho acusa António Cunha Vaz, director de uma agência de comunicação, que lhe terá oferecido os seus serviços, com o argumento de que «tudo se compra».


Manuel Maria carrilho propõe que «a regulamentação das agências de comunicação», através da «definição de um código de conduta e de outros procedimentos».
«Vou defender a clarificação da responsabilidade dos jornalistas e do exercício transparente da sua actividade. Estamos no contexto da definição de um novo estatuto dos jornalistas. Vou propor que passem a ser objecto de registo de interesses».
Carrilho frisou que «qualquer autarca é obrigado a apresentar uma declaração de registo de interesses» e defendeu que os jornalistas «são os instrumentos do escrutínio da transparência e só têm a ganhar se tudo o que respeita ao seu interesse for também transparente para os cidadãos e não opaco».


As agências tratam das notícias mais são os jornalistas que decidem se passam ou não para o espaço mediático.

Fonte, facilitadora, parceira, intermediária. Assim se definem as empresas, mais conhecidas por agências, de comunicação que prestam, entre outros serviços, a tão falada assessoria mediática. Uma visão contrária à defendida por Manuel Maria Carrilho, que no seu livro Sob o Signo da Verdade acusa uma desta empresas - Cunha Vaz & Associados - de lhe ter oferecido os seus serviços, em que incluía a compra de jornalistas, aquando da sua corrida à presidência da Câmara de Lisboa.
É justamente para ajudar à transparência do sector que Luís Paixão Martins, director-geral da LPM, está a preparar um código de ética para a disciplina de assessoria mediática, na actividade em conselho e relações públicas. "Em parte, este código já existe", alerta Paixão Martins, apontando para o código deontológico dos jornalistas. "Isto seria suficiente, pois trata-se de um conjunto de regras universais relativamente fortes."


Luís paixão Martins diz que: “Sempre defendi que a actividade das empresas de conselho em comunicação não deveria merecer regulamentação específica, mas a polémica lançada por Manuel Maria Carrilho obrigou-me a uma reflexão acerca do assunto e a mudar de opinião. Refiro-me em particular aos serviços prestados ao abrigo da disciplina de assessoria mediática (ou comunicação com jornalistas), embora o mesmo critério possa ser aplicado a áreas menos comuns como a comunicação de lobbying.Sempre entendi que estas empresas desempenham um papel relevante na compreensão entre os jornalistas, por um lado, e as instituições e as pessoas que querem ter protagonismo mediático, por outro. Essa compreensão passa pelo respeito que cada uma das partes deve à outra. Passa, por exemplo, pelo conhecimento das especificidades da formação das decisões editoriais. E, pelos vistos, deve passar pela definição de um código de conduta que impeça os menos sérios ou os mais desatinados de fazerem promessas que não podem cumprir e que são eticamente reprováveis.”


São os jornalistas que decidem sempre tudo aquilo que vai ser publicado ou não as agências de comunicação limitam-se apenas a dar os temas e assuntos para que os jornalistas abordarem. É como tudo na vida existem agências e técnicos de comunicação que também prestam mau serviço.

Aula 19 fime Boris


O filme ("Spinning Boris", no título original), dirigido por Roger Spottiswoode, mostra em 98 minutos a improvável viragem que três consultores políticos americanos (George Gorton, Dick Dresner e Joe Shumate) provocaram na eleição presidencial da Rússia, em 1996, viabilizando a impensável reeleição de Boris Yeltsin.A última técnica de manipulação utilizada neste filme foi a campanha negativa. Terá sido, eventualmente, a técnica mais vezes recusada pela filha de Boris Yeltsin, a coordenadora da campanha ao longo de todo o filme. A personagem interpretada por Svetlana Efremova (Tatiana Dyachenko) chegou mesmo a afirmar que “o papá nunca usará esses truques americanos reles… o meu pai ainda tem dignidade”, acabou por concordar que essa seria uma medida fundamental para que o presidente fosse novamente eleito.Contratados pelo grupo de Yeltsin para tentar o impossível, o trio americano começou pelo óbvio: Era necessário descongelar a face do presidente que não gostava de sorrir, e também fizeram desaparecer os depoimentos frios da campanha de TV.




  • Uma das medidas adoptadas pelos conselheiros de comunicação de Yeltsin foi acabar com os discursos maçudos e longos, que normalmente demoravam cerca de três a quatro horas.

  • Aparecia, nos cartazes, como um presidente cada vez mais sorridente, os resultados das sondagens foram notórios. Em todas as suas aparições públicas o Presidente sorri, cumprimenta, acena a mão ao seu povo, e com isto consegue conquistar a simpatia e a confiança do povo russo, subindo nas sondagens. Faixas, com um Yeltsin cada vez mais sorridente, garantiam o voto dos russos “Votem no Yeltsin para bem dos vossos filhos”


  • Tiraram o homem do gabinete e fizeram-no plantar árvores e beijar criancinhas. Só assim o eleitorado russo se apercebia que o presidente era um homem igual a todos os outros. O eleitorado russo começou a ceder.

  • Se a população da cidade estava a ser conquistada, o mesmo não se poderia dizer da população rural. No campo, as pessoas estavam muito mais preocupadas com a sua segurança do que propriamente em ver um presidente que dançava ou sorria ao passar pelas pessoas.Aqui, a estratégia tinha de ser outra. A propaganda de Yeltsin começava, então, a mostrar imagens dos ataques bolcheviques de 1917 usando o slogan “Mantenha a Rússia segura”

  • Anúncios, slogans, pelotões da verdade.




Aula 18 campanhas negativas na internet

Uma das armas utilizadas por este tipo de campanha é os rumores, que ganham mais força no momento em que a comunicação social lhes dá mais credibilidade.
A Internet que é um dos meios permite a maior propagação e perpetuação de um rumor.
Os partidos políticos parecem perceber este potencial que a Internet tem, e passam a lançar mão dos recursos e ferramentas do meio dentro das suas estratégias comunicacionais, e integrando as mais diferentes estratégias: informar o eleitor, educar o cidadão para a prática eleitoral, denunciar práticas e acusar adversários, circular informações, captar recursos e colaboradores, ou mesmo todas estas estratégias num mesmo espaço.
Os blogs têm vindo a multiplicar-se de forma explosiva, constituindo hoje um dos fenómenos mais marcantes não só da Internet como daquilo a que, chamamos “esfera pública”. Os blogs têm vindo a afirmar-se em todos os domínios das sociedades contemporâneas e a abarcar os temas que, nestas sociedades, são susceptíveis de mediatização, isto é, praticamente todos.



É a possibilidade de escrever anonimamente que dá à Internet a facilidade de se relacionar intensamente com o rumor. Mas não só: a instantaneidade de circulação da informação transforma um processo que implicava, antes, bastante tempo numa marcha acelerada.
Mas se a Internet é considerada hoje um meio de difusão com força suficiente para se igualar (ultrapassar?) os três clássicos, a sua maior força (a capacidade de democratização) pode também ser a sua maior vulnerabilidade.
A Internet, como meio de difusão de massas, não é um meio fechado a que só alguns têm acesso, seja por falta de licenças (rádio ou televisão) ou dinheiro (televisão e imprensa), mas sim um meio que pode chegar a toda a gente – pelo menos no mundo mais desenvolvido. Aberto à construção de quem saiba manipular a linguagem “html” e à visualização num telemóvel. Em dez anos, juntaram-se milhões de pessoas a saber construir a sua própria pagina ou, menos, a alterar a dos outros.
A actuação sob anonimato tem mais uma consequência directa: a Internet é uma actividade muito pouco controlada.
A democratização no acesso, o anonimato e a rapidez de transmissão resultam numa mistura explosiva, propícia à transmissão de informações falsas (ou, pelo menos, por confirmar).


Exemplo:
O rumor em Portugal (e na política)
Se pela primeira vez em Portugal houve uma “campanha negra”, na qual o rumor se enquadrou (voluntária ou involuntariamente), e se nunca um rumor tinha sido associado tão directamente a um processo eleitoral, também é certo que não foi este em concreto que estreou Portugal nos rumores políticos. Há, até, um caso muito exemplar, uma vez que foi publicado pela revista francesa “Le Point” em Junho de 03 (envolvendo, alegadas homossexualidades).
Mas os rumores, basicamente, têm poupado os políticos – artistas ou jogadores de futebol têm sido os alvos mais preferenciais (um dos casos mais conhecidos acabou por ser desmentido em directo na televisão, mas com consequências muito negativas para a carreira do jogador e do cantor em questão. (Conhecido como o caso Calado-Melão, foi o destaque do programa “Herman Sic” em Outubro de 2000). Ou seja, nada que se compare com o que acontece, por exemplo, em França, onde há registo de três ministros que se suicidaram, directa ou indirectamente, na sequência de boatos (Roger Salengro, em 1936, Robert Boulin, em 1979, e Pierre Béregovoy, em 1993).
É, portanto, possível dizer que os portugueses foram apanhados desprevenidos quando se aperceberam que, à medida que decidiam o seu voto para as eleições, tiveram de se relacionar com o rumor envolvendo o líder do PS (até então os rumores eram inofensivos ou sem consequências para a vida colectiva – como os que falam em relacionamentos extra-conjugais).
Se o rumor teve uma origem bem definida (ou, pelo menos, se houve um aproveitamento direccionado), o seu objectivo só podia ser um: desgastar a imagem do líder do PS para beneficiar o outro candidato a primeiro-ministro.



Mas a capacidade humana para a inovação e imaginação é infindável. A próxima, e potencialmente mais imprevisível, zona de expansão na arte das campanhas negativas é a Internet. Na Internet, a disseminação de informação já não é restrita aos profissionais. Os jornalistas, com todas as suas restrições, estão a tornar-se apenas numa, entre muitas, fonte de informação. A fronteira entre notícias e opinião esbateu-se, provavelmente para sempre, devido à proliferação de amadores na arte das notícias na Internet e também devido a muitas das práticas dos próprios jornalistas profissionais, sobretudo na televisão. Nos EUA, os jornais e as revistas estão em declínio e o jornalismo radiofónico e televisivo atingiu uma plataforma estável, não estando a conquistar novas audiências.
O que está a explodir é a variedade de informação disponível na Internet: informação em bruto, sem filtragens e censuras. O veículo mais comum para a disseminação de notícias e opinião são os blogs, em proliferação massiva. Existem blogs de todas as tendências políticas possíveis. E se antes costumavam estar limitados a um pequeno grupo de pessoas que sentia a necessidade de apresentar as suas opiniões a um grupo que partilhava interesses semelhantes, hoje falamos de “blogosfera”.
A emergência da blogosfera representa uma verdadeira mudança na dinâmica da gestão de informação, que já não se limita a uma elite de reconhecidos canais de media, estando disseminada por cada vez mais pessoas. De certa forma, pode mesmo afirmar-se que a informação está cada vez mais democratizada – o que é bom ou mau, dependendo do ponto de vista.