5.6.07

aula 21 Spinning da informação

Existem duas realidades para a palavra manipulação. A primeira é no sentido de destacar um facto em detrimento de outro e a segunda a mentira, a artificilalização, o spin doctor encaixa na segunda realidade.

Definição:Spin doctor/spin – Assessor de mídia ou consultor político contratado em uma campanha para garantir que o candidato receba a melhor publicidade possível em uma dada situação. Por exemplo, após um debate entre candidatos à Presidência, o spin doctor de cada candidato procura os jornalistas para mostrar-lhes os pontos fortes de seu candidato e tentar convencer a imprensa e, por extensão, o público, de que seu candidato “venceu” o debate. Quando esses assessores de mídia estão trabalhando, diz-se que estão fazendo spinning ou pondo spin (colocando efeito) em uma situação ou um evento.

O spin doctor é dado como algo depreciativo, não é uma função regulamentada e fácil de caracterizar pelo seu carácter secreto.Spin Doctor pode ser tratado como sendo um mestre da manipulação – faz desviar a trajectória da informação, e manipula-a de maneira a atingir interesses específicos. Esta manipulação é feita de diversas formas, desde alterar, adulterar informação de forma a desviar a atenção. Quanto mais ambiciosa e difícil é a situação, mais necessário se torna recorrer à manipulação.O spin doctor Tem como objectivo influenciar a opinião pública, esta é influenciada através de informações manipuladas que apontam a vitória de determinado candidato em época de eleições.No entanto, este trabalho é feito “às escondidas”, ou seja, nenhum Spin Doctor assume que manipula ou “faz jogo sujo” para conseguir alcançar os seus objectivos.A manipulação tem como finalidade levar o outro a agir ou a pensar como nós queremos, manipular é alterar ou condicionar o comportamento do outro.O spin doctor é aquele que, através do seu vasto conhecimento sobre política e comunicação social sabe, exactamente que caminhos seguir e que instrumentos utilizar para alcançar perfeitamente o seu objectivo.

Uma das dificuldades que os políticos actuais têm de resolver é a que resulta do contraste cada vez mais acentuado entre a complexidade dos problemas que defrontam e a hiper-simplificação que é necessário imprimir às ideias para que os media as divulguem e as opiniões públicas lhes concedam um mínimo de atenção. É esse hiato que os “spin doctors” procuram preencher, embora a infelicidade do método tenha ficado para já demonstrada com o episódio das armas de destruição maciça no Iraque.Antes de prosseguir com o tema, convém procurar uma tradução para os termos “spin” e “spin doctors”. O esforço vale a pena porque não devemos iludir-nos e pensar que tais expedientes só se usam no Reino Unido ou em tempo de guerra. Muito pelo contrário, eles estão claramente presentes entre nós, tanto que chega a parecer que a política nacional neles se esgota. O que é então o “spin”? A palavra pode traduzir-se directamente por “urdir” ou “tecer” (como nas “malhas que o império tece”, do poema de Fernando Pessoa) ou figuradamente, como fez recentemente Correia de Campos, por “endireitas”, como equivalente de “spin doctors”.O termo que, todavia, me parece mais adequado será o de “encenação”. A política sempre teve o seu lado de espectáculo que, na sociedade moderna, se acentuou fortemente, ao mesmo tempo que os problemas se tornavam mais complexos e que a expansão da literacia e do acesso à informação exigiam a capacidade de convencer um número crescente de cidadãos quanto à bondade de medidas, nem sempre populares ou fáceis de explicar.A encenação da política foi, por isso, ganhando importância, e acabou por ser distorcida em benefício de duas finalidades principais: (i) fixar a atenção do público em meia dúzia de “factos” ou de princípios que, uma vez aceites como provados ou como bons, passam a servir de fundamento inquestionado de políticas que estão longe de ser inquestionáveis; (ii) criar ou focar factos políticos menores ou meramente virtuais para desviar as atenções daquilo que realmente devia ser discutido.

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